quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

AS POMBAS DO RAIMUNDO



O homem gostava de ler, mas entendia pouco de escritores, poetas, romancistas, etc. Por algumas vezes nos jornais ou revistas lera sobre “as pombas do Raimundo”. Imaginava: "Quem será esse sujeito que cria pombas? Para comer? Não, não deve ser. As pombas são magras e sem sabor nenhum, com certeza. Bem, há os que criam coelhos, galinhas, patos, marrecos, mas pombas?".

         De outra feita, lá estava na coluna de um jornal: ‘As pombas do Raimundo’. “Quem será esse Raimundo que cria pombas?”, pensava ele  “Algum nordestino pobre, o nome indica, sem o Nonato. Não, não é pobre. Está no jornal, esse jornalzão. E pobre tem nome em jornal?”.

         Teve vontade de indagar, perguntar aqui e ali onde mora esse tal Raimundo criador de pombas. Imaginava-se fotografado ao lado do Raimundo naquele jornalzão ou naquela revista importante, pois está interessado no negócio e já viu que o cara é famoso. “Deve ter um magnífico pombal”, pensava ele, mas onde?

E vai daí que certo dia dá com os olhos numa poesia. Não gosta de poesia, mas é preciso ler tudo, pensava desinteressado. O que lhe interessa mesmo é o negócio das pombas. “Será que dá lucro? Deve dar, o cara está nos jornais, nos maiores...”

E leu a poesia, começando “Vai-se a primeira pomba despertada...”. Abaixo, a assinatura: Raimundo Correa.
- Ah, mas que droga! O danado do homem não cria pombas, faz é verso pra elas! Ora pombas!

Cirene Fazolo Freire
 

Você pode conferir a poesia do Raimundo Correia aqui:

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