O homem gostava de ler, mas entendia pouco de
escritores, poetas, romancistas, etc. Por algumas vezes nos jornais ou revistas
lera sobre “as pombas do Raimundo”. Imaginava: "Quem será esse sujeito que cria
pombas? Para comer? Não, não deve ser. As pombas são magras e sem sabor nenhum,
com certeza. Bem, há os que criam coelhos, galinhas, patos, marrecos, mas
pombas?".
De
outra feita, lá estava na coluna de um jornal: ‘As pombas do Raimundo’. “Quem
será esse Raimundo que cria pombas?”, pensava ele “Algum nordestino pobre, o nome indica, sem o
Nonato. Não, não é pobre. Está no jornal, esse jornalzão. E pobre tem nome em
jornal?”.
Teve
vontade de indagar, perguntar aqui e ali onde mora esse tal Raimundo criador de
pombas. Imaginava-se fotografado ao lado do Raimundo naquele jornalzão ou
naquela revista importante, pois está interessado no negócio e já viu que o
cara é famoso. “Deve ter um magnífico pombal”, pensava ele, mas onde?
E vai daí que certo dia
dá com os olhos numa poesia. Não gosta de poesia, mas é preciso ler tudo,
pensava desinteressado. O que lhe interessa mesmo é o negócio das pombas. “Será
que dá lucro? Deve dar, o cara está nos jornais, nos maiores...”
E leu a poesia,
começando “Vai-se a primeira pomba despertada...”. Abaixo, a assinatura:
Raimundo Correa.
- Ah, mas que droga! O
danado do homem não cria pombas, faz é verso pra elas! Ora pombas!
Cirene Fazolo Freire
Você pode conferir a poesia do Raimundo Correia
aqui:
