quinta-feira, 12 de julho de 2018

O BAILE


Te vi dançando no baile
Deslumbrante e formosa
O rosto da cor da rosa
E tu sem pensar em nada
Num ombro a mão encostada
Na volúpia da contradança
Enquanto teu corpo balança
Abre-te em flores uma estrada

O mundo tem seus caprichos
A dança é nuvem, evapora
E quando desponta a aurora
Tu, no mais doce enlevo,
Nas folhas em que eu escrevo
Deixo a sentença gravada
A dança é nuvem, é fumaça
Que passa desabalada.

Sem sentir que o tempo voa
Nesse teu pé já cansado
Tu, na mais leve garoa,
Desabas emurchecida
Como a flor que já sem vida
Tomba, vergando o galho,
Então procuras consolo
Nas brancas gotas de orvalho.

Cirene Fazolo Freire




Fotos: Festa do aniversário de 90 anos da Celina (irmã), novembro 2008.